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A Melhor Amiga da Barbie

Vamos aos 35?

18.05.15 | Ana Gomes

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 Foi um fim-de-semana do caraças e estou - naturalmente - satisfeita por isso. 

 

O meu pai acha que por gostarmos de música e sermos benfiquistas eu e o meu irmão somos pessoas melhores e mais razoáveis. 

 

Eu compreendo o meu pai. Afinal de contas foi ele que nos passou a febre por ambas as paixões.

Se tiver que falar sobre as coisas que senti ontem começo por dizer que não me soube a campeonato. Vimos o jogo numa tasca na Costa e ver um Benfica a jogar bem e a não marcar nunca me trará satisfação.

Despachei tremoços para não roer as unhas e optei por um Sumol em vez de me afogar em minis. Fiquei desolada quando percebi que iríamos ser campeões á boleia de um golo do Belenenses e levei logo a ensaboadela do justo benfiquista : 

 

Não Amor... vamos ser campeões porque ganhámos todos os outros jogos. 

 

É um facto. E contra factos... 

 

Mesmo assim acho que só senti o campeonato quando atravessei a ponte - sempre com o cachecol pendurado na janela - e vi vários adeptos na rua a festejar. Pensei e disse : Ser do Benfica é do Caraças! 

 

No meio desta história convém nunca esquecer os episódios lamentáveis. Foram vários. Se roubaram a festa? Lamento. Mas não. Mesmo que todos os anti-benfiquistas os queiram usar como pau de suporte para a bandeira da raiva. Ou será do ódio? São duas palavras chatas para descrever uma posição que é só parva. Mas que seja... todos precisamos de uma bóia de salvação. 

 

Se eu estou do lado dos agressores? Sejam eles policias ou civis? Nunca. Nunca estarei do lado de um agressor. Mas a idade também me ensinou que por trás de uma farda ou de uma camisola - no final por trás da pele - está um ser humano. E caramba... o ser humano é capaz de coisas tão estapafúrdias. 

 

No próximo domingo estarei no estádio. Vou aplaudir de pé, sentada, vou cantar e fazer a onda. Hei-de me enervar sem motivo. Hei-de rir e tirar umas quantas selfies. Vou - com toda a certeza - trocar mensagens com o meu pai e no final vamos jantar e celebrar com o meu primo que vem propositadamente de Paris para a festa. 

 

Sempre que se fala de futebol há os que se insurgem. E dizem : Se tivessem a mesma força massiva quando o assunto é outro! 

 

O meu coração é grande. Gigante mesmo. 

Gostar de futebol não me faz esquecer questões politicas ou sociais. Pelo contrário : até me ajuda a extravasar uma energia que se não fosse canalizada para uma coisa " sem importância " me podia deixar à beira da insanidade. Quem entra num estádio ( e um estádio pode ser uma colectividade onde se vê a bola ) percebe como pessoas tão diferentes podem ter um gosto comum. 

 

Enquanto o Benfica me for distraindo e - idealmente - me for dando alegrias é menos um problema. Quem gostar de ver manifestações colectivas de orgulho compreenderá. 

 

O mal não está em gostar de futebol. O mal está em sermos pequeninos e vermos mal em tudo. 

 

Até no que é maravilhoso. 

 

Obrigada pelos 34. 

Vamos aos 35? 

 

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