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A Melhor Amiga da Barbie

Trabalhar sozinha.

21.07.14 | Ana Gomes

Foi assim tudo muito repentino. 

 

Acordei para uma segunda-feira igual a tantas outras, mas bebi o café - o segundo do dia - num centro onde existem vários escritórios. Os 5 minutos que esperei pela companhia foram o suficiente. 

Várias pessoas que se falavam, acenavam, sorriam, comentavam, partilhavam qualquer coisa. 

 

Foram aqueles 5 minutos - e um resto de dia particularmente introspectivo - que me trouxeram as saudades terríveis de trabalhar com alguém.

 

 

 

 

Ser um pássaro livre, ser freelancer por opção é óptimo! Poder dizer que sim a desafios de ultima hora, poder escolher o que fazer e quando fazer, receber uma proposta e ter de fazer poucas contas aos dias... nem me chateia nada trabalhar aos fins-de-semana, noites, feriados... nem encarar cada momento de lazer com seriedade ( sim aqueles sítios maravilhosos, aqueles jantares bonitos, os eventos com imensa pinta ) tudo tudo se reflecte - de uma forma ou de outra - em trabalho. E eu adoro! Ser dona do meu despertador e das minhas madrugadas. Dos filmes de manhã, dos almoços às quatro da tarde. Está tudo certo! 

 

Só é estranho não ter ninguém com quem comentar uma noticia, passar horas num silêncio pessoal, não ter ninguém com quem desabafar ou que nos diga "vou buscar um café, queres?!". É esquisita a ausência da pessoa que não suporta a segunda-feira, que "ainda é quarta e já estou de rastos", que planeia um fim-de-semana. Falta o rapaz que se cruza connosco e um dia nos diz "olá". Falta a pessoa que nos chama porque precisa de falar. 

 

Faz-me falta o meu João que me resgatava pelo chat do facebook até outra sala, que me abraçava nos corredores e me roubava para chás ao final do dia. O João que me dava o ombro e me deixava dizer disparates, em diálogos infinitos com frases de vídeos do youtube.  A Mafalda, os conselhos e as histórias da escola e da Mariana. A Rafa e as nossas playlists partilhadas e os desabafos de coração aberto. A Medina e a Rita e os almoços que nunca eram a horas. A Tia Gloria e os cigarros no fundo das escadas logo às 9 da manhã... os "força miúda, tens de levantar a cabeça." O Joaquim e os mapas de viagens ao som de óperas em repetições infinitas. A Fátinha e as nossas conversas tão pessoais seguidas de silêncios de respeito e o Ricardo e o conhecimento infinito de cinema e música. 

 

Ser freelancer é do caraças. Mas ter colegas de trabalho é das melhores coisas da vida. 

 

E eu tenho muitas saudades dos meus.

 

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