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A Melhor Amiga da Barbie

Ser Mulher :

09.03.17 | Ana Gomes

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Ontem nem consegui escrever sobre o Dia da Mulher. 

 

Nem perdi muito tempo a ler as opiniões sobre o Dia nas redes sociais - confesso que sou cada vez menos atenta a polémicas e afins. Mas claro que - e já se sabe - mais um ano em que se leram comentários do tipo : querem os mesmos direitos e depois têm um dia especial? 

 

Caramba. É uma pena - de facto - que a Mulher não seja celebrada todos os dias. Pior ainda.. que as pessoas finjam que as coisas são iguais entre os géneros. Lamento : não são. 

Reconheço, ainda assim, que muita coisa melhorou. Basta estar atento à história. 

O mais peculiar é que mulher ganhou algum destaque e importância na sociedade - quando pensamos no mercado de trabalho e no papel da mulher com posto de trabalho VS mulher exclusivamente dona-de casa - mas parece que tantas vezes nos esquecemos que as diferenças de educação entre géneros ainda fazem com que a mesma mulher que saiu de casa para ir trabalhar - entre vários motivos, para ter acesso a uma fonte de rendimento - continue a ser a mulher responsável pelas tarefas domésticas ou pela organização da casa. 

 

Há excepções - clara e felizmente - mas ainda não são a regra. Quantas vezes não ouvimos "ah... mas a culpa é vossa/tua... são vocês que dão "abébias", são vocês que permitem". Sim! E... Não! Ora... por muito que eu tente dar uma de durona e impor regras de convivência caseira que impliquem uma divisão de tarefas isso não acontece naturalmente e - lamento - mas não é o meu papel educar os filhos dos outros. Ou seja: para que as coisas fluam ainda é necessário que EU - no papel da Mulher - tenha de explicar e articular regras, ser paciente e levar com olhares de impaciência de quem não está formatado para funcionar assim. 

E a culpa é Dele? Sim! E... Não! Os parâmetros e as regras que vêm de trás fazem com que a base seja a contrária. É "natural" que a mulher seja a responsável pela casa. Compras, limpezas, organização e dinâmicas. 

Isto é um poço sem fundo? Eu não acho que seja. Cabe à nossa geração iluminada e esclarecida o papel de educar e encaminhar as novas gerações para estas dinâmicas iguais. Para que naturalmente as coisas passem a acontecer de outra maneira. 

 

Quando engravidei e me perguntavam se queria um menino ou uma menina comecei a pensar a sério no assunto. Nunca tive uma inclinação particular mas um desses dias dei por mim a pensar : talvez seja mais fácil ter um menino. Sofrem menos, têm menos preocupações e muito menos pressão. 

Um pensamento horrível. Mas não posso negar que aconteceu. Fiquei radiante quando soube que ia ter uma bebé. E o peso da responsabilidade parece que aumentou. Eu quero ser capaz de educar uma mulher forte, determinada e feliz. Uma mulher com a garra das mulheres que me inspiraram - e tenho uma mãe e duas tias maravilhosas - e a doçura de uma sonhadora. 

 

E querem falar na pressão social de estar sempre impecável e responder a um padrão? Também me parece que não é necessário. 

 

Filha: ser Mulher é um desafio. Mas a vida é isso mesmo. E como diria uma mulher/revolução : Uma Mulher deve ser duas coisas : quem e o que ela quiser.