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A Melhor Amiga da Barbie

Seja lá o que isso for.

16.11.14 | Ana Gomes

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No principio a primeira sensação foi ... particular. Senti vergonha. 

Como é que ia explicar - mais uma vez - que as coisas não tinham dado certo? Como é que explico que as coisas falharam sem nenhum motivo? Foi vergonha. Comecei por sentir vergonha e quando tentei verbalizar o que se estava a passar percebi que isso não fazia sentido. 

Descansei esse lado. Essa gaveta emocional do "falhou tudo mais uma vez" ficou socialmente fechada. Ficou aberta para dentro e para mim e tem várias coisas que me magoam nos momentos mais estranhos. Como quando caminhamos descalços e nos magoamos com alguma coisa que não devia estar no chão. 

 

Depois tudo o que se perde. As pessoas que se perdem, as relações familiares. Perdem-se. É inevitável. Por muito que se goste, que se cuide, que se trate... não tem como. Penso nisso vezes sem fim. E as memórias : tantas. 

 

As noite são difíceis. Sozinhas, frias (muito frias), silenciosas. Os dias acabam sem as mesmas partilhas, sem os mesmos desabafos, sem o mesmo conforto. E os dias começam igualmente em surdina. Encho a cama de almofadas, abraço-as. Foi um segredo que a minha mãe me ensinou. Aqueço almofadinhas de cereais para sentir a cama morna.

Entretenho-me com filmes, séries e tento ouvir música com o coração desligado. Não acho que a repetição dos desgostos tornem as coisas mais fáceis. A dor é sempre diferente, o processo é (quase) sempre igual. Não é por saber que vou ficar bem que não consigo parar te ter saudades ou olhar para as coisas sem ser levada para uma realidade em que o plural era a única conjugação certa de verbo no presente e no futuro - mesmo que o pretérito fosse imperfeito. 

Levantam-se muitas questões e existe uma falta de vontade generalizada que nos faz encolher os ombros e sentir culpa ao mesmo tempo. Dizem-me que acham que o que tenho é medo de estar sozinha. Não é. Apesar de eu saber que as pessoas conseguem (e devem) saber viver sozinhas acho que fomos feitos para partilhar, dar e viver aos pares. 

São demasiadas sensações, sentimentos e estados de espírito. 

No outro dia diziam-me que não me compreendiam, que me preferiam ver a gritar e a pedir ajuda do que assim. Como se adiasse um estado que é inevitável. Compreendo. 

Entendo que estou num estado de choque parcial em que não acredito que - mais uma vez - isto aconteceu. É o que pode explicar que ainda tente acertar com risco do eyeliner ou que saia sempre de casa com baton e perfume, que vão acabar misturados com lágrimas que fazem com que o esforço - minutos depois - já não compense. É o que pode explicar que chore a olhar para os numeros numa bicicleta no ginásio ou que trema só por passar em certos lugares. 

A dor é sempre diferente, o processo é (quase) sempre igual. Escrevi-o ainda agora. Mas a aprendizagem é sempre maior. A vida é só esta. Os dias não se repetem. As pessoas também não. 

"Onde vais buscar esse sorriso?" Eu não sei. Acho que o vou buscar à força das pessoas que vejo a lutar todos os dias. Pelo Amor, pela familia, pelas coisas em que acreditam. Eu ainda não tive a sorte de ter isso para mim... mas sorrio por saber que ainda há quem acredite que somos melhores se lutarmos pelo que nos faz sentir completos. 

 

Seja lá o que isso for. 

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