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A Melhor Amiga da Barbie

Eu sou Lisboeta. Não era preciso ser também piegas.

12.06.15 | Ana Gomes

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( ilustração Sara-A-Dias )  

 

 

Preciso de salvação.

 

Eu sou alfacinha de gema. Para mim Junho é uma alegria. Já sei que mal Maio vira Junho as janelas de casa se devem fechar e a roupa é para ser seca dentro de casa. 

A rua enche-se de cançonetas embaladas por mais umas imperiais e por muito mais sangrias e o cheiro a sardinha assada enche a cidade com tanta naturalidade como a maresia se faz sentir nas madrugadas em Peniche. 

Os pretextos para sair de casa depois de escurecer são mais que muitos e dançar no bailarico é um dever de qualquer lisboeta que se preze. 

Lamento mas é mesmo assim! Quem é de Lisboa, da Lisboa aqui do centro de onde se vai vendo o rio, sabe que é isto que se passa. E se até aceito que algumas pessoas não tenham paciência para a noite de 12 para 13 fiquem sabendo que é preciso amar todos os outros dias de Junho e desculpar a calçada que fica meia pegadiça. 

 

Nunca esquecer o trânsito cortado! Mas é todos os anos assim. Cabe-nos fazer aquela ginástica mental que nos permite escolher outro caminho, outro horário ou outro transporte. 

 

De fugir? Só mesmo dos casamentos de Santo António. Cheguei a casa, liguei a televisão para ter "barulho de fundo" e a minha produtividade está a bater todos os pontos negativos. Estou colada à cerimónia, de lagriminha no canto do olho, um lenço esmagado dentro da mão e muitos suspiros. 

 

Eu sou Lisboeta. Vivo com aquele orgulho doido de regressar sempre a casa. Não consigo conter um sorriso quando vejo as bandeirinhas penduradas. Eu sou Lisboeta. Não era preciso ser também piegas.