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A Melhor Amiga da Barbie

Diário Dela #14

18.12.13 | Ana Gomes

 

 

"Estou há semanas nisto.

Já escrevi sobre isto, já bebi sobre isto, já fumei sobre isto.

Preciso de uma balança para os sentimentos e de um peso e uma medida para a vida. 

 

Tenho-me tentado convencer que faz sentido estarmos juntos. Mas só a concretização desta frase está errada. 

A verdade é que não percebo como é que ainda nos continuamos a pertencer. 

 

Eu não estou apaixonada por ti. E tu raras vezes estiveste. 

O problema é que quando eu não acreditava no Amor, eu sabia o que ele representava. Havia um sentido, uma força, um sentimento, que eu conhecia mas no qual teimava em não acreditar. Agora já não sei. Garanto-te. Já não sei. 

 

Não existem coisas nossas. Nada é meu e teu ao mesmo tempo. Chega a ser engraçado que construas uma espécie de vida em conjunto em que nada é dos dois. Acho que são privilégios dos tempos modernos. 

 

Sobre a equação Eu menos Tu, doi-me o igual. 

Sinto a tua falta quando não estás comigo. Sinto que sei que se não estivesses por muito tempo ia ficar sem voz. Sei que cuidas de mim. Sei que teria de te esquecer, morrendo aos bocadinhos por querer ouvir-te falar das ideias que tens para a vida. 

E quando a noite chegasse adormecer sem ti para sempre seria doloroso. 

Mas a isto chama-se hábito. É o comodismo de que o ser humano tende a depender. É por isso que ainda estamos aqui os dois. Não porque nos amamos. Mas porque é mais fácil do que lidar com a dor da falta.  

 

O problema é outro. O problema é que tudo o que sinto por ti, e tudo o que sinto por imaginar que nos vamos embora daqui é isto : Sinto menos por ti agora. Sinto menos por ti do que já senti noutros momentos, com outras pessoas, na hora de escolher ou de ter de aceitar a inevitabilidade. 

 

Preciso que saibas que há alturas em que me apetece que alguém me deseje. E que esse alguém não sejas tu. Preciso de alguém que me faça sentir melhor, que por um tempo pequeno que fosse, tivesse o capricho de pensar só em mim. De me querer surpreender. Alguém que me fizesse os olhos brilhar pelo tempo suficiente para ficar minimamente feliz. Mesmo que fosse como nos filmes. Aliás, gostava que fosse mesmo como nos filmes. Apesar de não acreditar que fosse possível prolongar isso por muito tempo, queria uma vez que fosse, ter um turbilhão no fundo da barriga que me acelarasse o coração. E sei que não está certo. Que não devia desejar que outra pessoa fizesse um papel que te cabia a ti. 

 

Tenho tantas indecisões sobre o futuro. Mas a certeza de que não me apetece estar em água morna. Estar sozinha sim. Ou viver uma história tão intensa que me falte às vezes o ar. E tu sabes que apesar de eu não acreditar no Amor, acredito na perfeição. Na medida em que ela é feita de todos os erros, de todos os conflitos, de todos os desatinos da estrada direita. Mas isto não.

 

Enquanto olho para ti, sem que queira que percebas o que se passa, penso :

Fico quieta e deixo acontecer, ou dou-te a liberdade para ires procurar a vida que não te vou dar? "

 

 

Diário Dela - Cartas. 

 

 

 

 

 

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