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A Melhor Amiga da Barbie

Viagem De Volta

14.10.13 | Ana Gomes

 

 

Nove horas e 20 minutos de viagem.

 

Passaram, literalmente, a voar. 

Não consegui dormir, mas aproveitei para tentar alinhar a cabeça. 

Desisti quando percebi que chorar no avião podia ser confrangedor para os passageiros ao meu lado.

 

Filme, séries, livro. 

 

Aterrar em Lisboa. Alivio. Conforto e Desconforto. 

Queria voltar. Mas só a Lisboa. Não para o resto. Que injusta. Não para grande parte do resto.

 

O passaporte electrónico poupa-me a fila e quase não espero pela mala. O aeroporto de Lisboa está diferente, agora estou num corredor que não conheço. Finalmente a porta, e aquela rampa que já desci com toda a espécie de sentimentos.

Entro no táxi. 

Vamos o caminho todo calados. Eu e o taxista. Sem percursos turísticos. 

 

O meu bairro, a minha rua, muito esforço de braços depois, a minha casa. 

 

Abro a mala de viagem, tiro as sapatilhas , as calças e o top do ginásio, que levei comigo como se fosse correr todos os dias Brasil fora. Confiro que tenho tudo o que preciso na mochila.

Carrego o passe no multibanco, espero pelo 58, chego às Amoreiras.

 

Descarrego a carga emocional na passadeira do ginásio.

Não gosto de transpirar. Não gosto de me sentir a ficar vermelha. Ando rápido, corro, ando muito rápido. Com os fones ligados à Sic Noticias. Não adianta tentar actualizar-me, mas custa menos isso do que correr a ouvir a passadeira.

 

É em passo de corrida que vou para o banho.

E é num passo mais acelerado que vou para o escritório.

 

Uma noite em branco, os horários trocados. Eu meia desligada. Eu com os alarmes todos a soar. 

 

Estou de volta à vida, e nada ficou parado à minha espera, por isso tenho muito que correr para apanhar a passada da realidade.

E todos os regressos são novas oportunidades de recomeços. 

 

 

 

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