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A Melhor Amiga da Barbie

Yes We Ken

14.10.11 | Ana Gomes
Cada vez mais as pessoas me perguntam pelo Ken.

"Hmmmm aqui há história!"
E há mesmo...

"Então mas a Barbie não tem Ken? Porquê? Fica escondido em casa? Tem medo de aparecer?"





Houve efectivamente um Ken, e a verdade é que não foi um período fácil, as memórias não são as melhores, e para mim contar a história é sempre tocar na ferida.

A Barbie vivia tranquila no seu apartamento. Dividia-o com quem era preciso, mas estava habituada a ser a dona do pedaço. Ainda assim começou a achar que faltava um sorriso e uma presença masculina ali por perto. Alguém que estivesse por perto, alguém para estar bonita, enfim... .

E ele apareceu. Chegou como era suposto, ou como era esperado, já não sei bem. E por lá ficou. Ao princípio eram só maravilhas, um encanto estúpido. Brinquedo novo é brinquedo novo!
E o reboliço era tanto que toda a gente o queria conhecer.

Iam aparecendo lá em casa outras Barbies com outros Kens, para se conhecerem uns aos outros. E era divertido, a coisa ia correndo bem. Até que um dia... o terror.

Tinha sido difícil conquistar o Ken. Implicou abdicar de algumas coisas. Por isso todo o cuidado era pouco.

Até ao dia em que  entro completamente confiante no quarto e em 30 segundos o mundo desconhecido, iluminou-se para mim : uma amiga do meu irmão, a brincar com o meu Ken.

Tudo ás escondidas, tudo sem a minha permissão. No exacto momento em que as mãos delicadas da matrafona tentam que o Ken seja, não só o namorado da Barbie, mas sim um ginasta habilidoso e capaz de fazer a esparregata. Tudo isto coincidiu com o momento em que o meu coração se partiu aos bocados, como o Ken se acabava de partir.

A perna dele ficou na mão dela, e o resto do seu corpo musculado e sorridente, semi-nu, na outra.

Foi o meu primeiro, único e último Ken.

Tinha eu 3 ou 4 anos quando me foi prometido o boneco. Mas (e quando há homem há sempre "mas") teria de dar a minha chucha em troca. Ironias à parte, teve mesmo de ser. Ana entrega a chucha à entidade paternal, e é-lhe em troca entregue um Ken para alegria de toda a Barbie lá de casa.

Meses depois dá-se o fatídico confronto.

Tinha eu 3 ou 4 anos quando aprendi que as meninas não devem brincar com os Kens umas das outras às escondidas. Ou talvez o melhor mesmo fosse não entrar no quarto cheia de confiança.

Tinha a mesma idade quando percebi que o melhor era não ter mais Kens não se fosse repetir a cena.


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