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A Melhor Amiga da Barbie

03
Fev15

A Ironia Do Fim Do Amor.

Ana Gomes

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Ontem estive até às tantas a conversar com uma pessoa querida sobre a ironia do "fim" do Amor. 

 

A verdade é que mesmo que as histórias sejam completamente diferentes há sempre pontos muito comuns na base dos argumentos. Como se as vidas fossem livros ou filmes e os males e as dores se encontrassem. 

 

Aquele momento horrível em que nos tiram o chão. Estávamos tão tranquilamente ( e geralmente é mesmo esse o problema ) a viver uma relação e afinal... não sabem se gostam de nós, não têm a certeza do que sentem, quiseram ir ali ver se com outra pessoa era melhor. E a outra parte ( nós ) fica super confusa, baralhada e sem perceber muito bem em que momento é que aquilo aconteceu ou o que poderia ter feito para evitar isso. 

 

A culpabilização pode ser silenciosa, mas acontece quase sempre. É naquele momento em que voltar para trás não é opção que descobrimos exactamente o que devíamos ter feito de diferente. Ou que concluímos - na hipótese que me é mais familiar - que fizemos tudo o que podíamos e que nos contrariámos tantas vezes em vão. 

 

Abreviando um processo de desgaste muito sofrido : choramos até fazer ferida, perdemos a esperança, a vontade, perdemos o norte, as certezas e em ultima análise : perdemos o que queríamos para a vida.

(Este resumo é muito gentil. Geralmente a angustia e a dor são inenarráveis e é por isso que mais vale contá-la assim... numa frase. )

E depois há um dia - situação que acontece em 90% dos casos e cujo intervalo de tempo pode demorar dias, meses ou anos caso "nós" não tenhamos feito nada de errado - que a outra parte descobre que afinal o que sente por nós é Amor. Todas as duvidas, experiências ou incursões noutras vidas foram confirmações absolutas de como éramos o melhor que poderiam ter. Ou o que queriam mesmo. 

 

É no dia em que o que mais queríamos acontece que tudo deixa de acontecer em nós. E a ironia que há aqui? 

Abdicámos e cedemos tantas vezes quando tudo estava bem, sofremos quando tudo ficou errado, e quando o universo nos decide compensar com a confirmação que nunca queríamos que tivesse sido dúvida.... deixamos de sentir.

 

Quando a conclusão é essa vive-se depois de uma de várias formas : ou com uma culpa sem sentido, ou com uma angustia estranhíssima, ou encolhe-se os ombros e continua-se a viver e pensamos : azar. 

Não o nosso, claro. Nem da outra parte.

É que continuar a tentar vivendo com essa certeza é pura e simplesmente : adiar a conclusão e prolongar o sofrimento. 

 

Reparem : é a vida. 

 

E é óbvio que só a distância emocional me deixa abordar o assunto com a leveza a que me permito. 

Mas a alternativa é vivermos bloqueados por uma culpa que não me/nos pertence. 

29
Dez13

Eu escolhi sentir.

Ana Gomes

 

 

 

Tenho uma sensibilidade artística demasiado evidente. 

 

Isto não é uma virtude, nem sequer é uma espécie de auto valorização. Quando falo em sensibilidade não digo que sou uma virtuosa que reconhece ao primeiro contacto uma obra prima. 

 

Sou simplesmente uma pessoa que reage emocionalmente - que resultam em reacções físicas - a objectos artísticos. 

Choro quando ouço algumas pessoas cantar, quando vejo alguns espectáculos, com muitas das coisas que leio... Raramente é de tristeza. É mais uma reacção "ao belo" e isso é difícil de explicar. Arrepio-me quando vejo certas atitudes, acontecem pequenos tremores de terra dentro de mim quando sou confrontada com certos momentos. 

Quando uma voz mexe comigo... os olhos enchem-se de àgua. Não é sequer uma coisa que consiga controlar ou provocar. Acontece. 

 

Isto não é mau. É só complicado algumas vezes, porque chega a ser pouco confortável. Para mim e para os outros. 

 

Perder esta sensibilidade não seria difícil. Bastaria conhecer quem está por trás do que provoca essas emoções. Mas não quero, é das poucas coisas da vida a que me permito o encanto, apesar de saber que pertence a uma realidade que não é a do nosso mundo. 

 

Tenho o exemplo prático de uma quantidade simpática de prosa que me partiu o coração, que me atirou ao chão, me fez feridas nos olhos, me fez sair de mim e entrar naquela dor, ou permitir que aquela dor entrasse em mim e a vivesse como fosse a minha. E depois a verdade de ter conhecido quem estava por trás daqueles sentimentos, daquela manipulação sentimental - que é a arte - e compreender no fim que sendo ou não real a história ( o que importa se é ou não verdade? é uma história. ) conhecer a pessoa que escreveu aquilo, a que venerei à distância considerável que separa o leitor do escritor, foi também o momento que conheci e entendi que aquele Ser Vivo em nada correspondia ao ideal sensível que construi na minha cabeça. 

 

E foi aqui que no meu caminho apareceu a bifurcação : ou seguia a via do encanto e me continuaria a emocionar, ou compreendia que por trás de todas as manifestações artísticas está um ser humano que não corresponde ao que projectei/projectámos o que arruinaria qualquer hipótese de compaixão. 

 

E decidi. Decidi que é bem melhor chorar com as letras, arrepiar-me com os sons, rir com as sensações, lidar com as identificações. Nunca pensando que por trás disto tem de existir uma realidade, ou um emissor que encerre em si a verdade que me mostra. 

O que importa isso? 

 

Só importa o que eu quiser. Nisto posso ser irracional. 

 

A arte pela arte. E o artista enquanto artista. Nunca enquanto pessoa. 

 

Lamento... mas o artista enquanto pessoa destrói tantas demasiadas vezes o objecto. 

 

 

 

 

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