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A Melhor Amiga da Barbie

19
Abr17

Afinal o mundo não acaba...

Ana Gomes

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Há uns dias estava a trocar mensagens com uma amiga e ela disse-me : 

 

Hoje cruzei-me com um ex-namorado. Não senti rigorosamente nada. E pensar que há uns anos morria por dentro só de pensar nele. 

 

Eu acho sinceramente que estes momentos são gloriosos. São a prova de que o mundo não acaba e são aquela chamada de atenção que às vezes precisamos de voltar a ter. Como se fosse preciso relembrar a nossa cabeça - e o nosso coração - que tudo passa. Tudo fica arrumado num determinado lugar. Não quero chegar ao exagero de dizer que tudo na vida se esquece - apesar de isso realmente acontecer em determinadas situações - mas de facto tudo na vida é, em determinado momento, relativizado, desbloqueado e lá vamos nós. 

 

Pode demorar horas, dias, meses ou anos. Pode fazer curto-circuito : quantas vezes não nos voltamos a perguntar  "e se?" ou "porquê?" até que deixamos de fazer essa pergunta, até que aquela dor é ultrapassada por qualquer motivo - por vezes lamentavelmente por uma dor maior - mas que nos ensina a pensar na vida como uma coisa gigante. 

 

Foi também há pouco tempo que ouvi alguém dizer que já sabia que certos coisas para mim aconteciam como se fosse o fim do mundo. Eu reconheci que aquele comentário fazia sentido para mim de facto. Mas não hoje, não já há algum tempo, há acontecimentos para mim que serão com certeza o fim de alguma coisa, provavelmente de muita coisa, mas não são - nem de perto nem de longe - o fim do mundo. 

 

Porque eu já achei que o mundo tinha acabado vezes demais e afinal... 

27
Out16

Rubrica RFM - TOP 5 - O que faz do teu namorado o teu melhor amigo.

Ana Gomes

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Hoje mudamos o tema e vamo-nos focar nas qualidades - algumas - que fazem do nosso namorado... o nosso melhor amigo! 

Não estou a falar de divisão de tarefas, de cuidar quando estamos doentes ou de dividir as contas! 

O foco é mesmo naquelas qualidades que reconhecemos no nosso melhor amigo... mas nem sempre no nosso namorado! 

 

5 - Estarem juntos, no mesmo espaço, e cada fazer o que lhe apetecer sem estar preocupado com o que outro vai pensar. 

 

Podes estar a pintar as unhas, a ler uma revista, ou a chorar a ler um livro... e sabes que ele está ali ao lado e está tudo bem. Sem stress, sem pressão e sem sentirem a necessidade de estar a fazer a mesma coisa. 

 

4 - Alternam a escolha dos programas televisivos.

Ele vê os teus filmes lamechas e tu vês os programas da bola. Na verdade o mais provável é que nem tu estejas a ver os comentários desportivos... nem ele esteja com atenção ao enredo do filme. Mas ninguém reclama e respeitam as opções um do outro. 

 

 

3 - Dá-te opiniões sinceras.

Não tens a certeza se estás a tomar uma boa decisão, ou até mesmo se o look para a festa do trabalho é o mais apropriado? Sabes que terás um feedback sincero e não tendencioso! 

Acreditam que há relações em que a confiança é tão estranha que eles preferem não admitir que estão fantásticas só para não haver mais gente a pensar o mesmo. #triste

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2 - Guarda os teus segredos.

Uma das melhores coisas que os verdadeiros amigos têm é a possibilidade de podermos confiar neles. 

Já estiveram numa relação em que não tinham a certeza se os vossos segredos estavam guardados? Saberão que o vosso namorado é o vosso melhor amigo se puderem confiar nele. Mas atenção! Só vale contar os vossos segredos. Contar os segredos dos outros faz de vocês... uma má ou mau amigo. 

 

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1 - Tira-te todas as fotos que precisas sem reclamar.

Convenhamos, quem não adora ter fotos giras naquele restaurante onde vão? Ou aquele passeio giro que marcaram para o fim-de-semana? Sentem-se umas chatas sempre que têm que pedir uma foto? 

 

Sabem que o vosso namorado é o vosso melhor amigo se ele fizer isto sem reclamar. 

A cereja no topo do bolo? É ele que vos quer fotografar! ;) 

 

 

03
Fev15

A Ironia Do Fim Do Amor.

Ana Gomes

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Ontem estive até às tantas a conversar com uma pessoa querida sobre a ironia do "fim" do Amor. 

 

A verdade é que mesmo que as histórias sejam completamente diferentes há sempre pontos muito comuns na base dos argumentos. Como se as vidas fossem livros ou filmes e os males e as dores se encontrassem. 

 

Aquele momento horrível em que nos tiram o chão. Estávamos tão tranquilamente ( e geralmente é mesmo esse o problema ) a viver uma relação e afinal... não sabem se gostam de nós, não têm a certeza do que sentem, quiseram ir ali ver se com outra pessoa era melhor. E a outra parte ( nós ) fica super confusa, baralhada e sem perceber muito bem em que momento é que aquilo aconteceu ou o que poderia ter feito para evitar isso. 

 

A culpabilização pode ser silenciosa, mas acontece quase sempre. É naquele momento em que voltar para trás não é opção que descobrimos exactamente o que devíamos ter feito de diferente. Ou que concluímos - na hipótese que me é mais familiar - que fizemos tudo o que podíamos e que nos contrariámos tantas vezes em vão. 

 

Abreviando um processo de desgaste muito sofrido : choramos até fazer ferida, perdemos a esperança, a vontade, perdemos o norte, as certezas e em ultima análise : perdemos o que queríamos para a vida.

(Este resumo é muito gentil. Geralmente a angustia e a dor são inenarráveis e é por isso que mais vale contá-la assim... numa frase. )

E depois há um dia - situação que acontece em 90% dos casos e cujo intervalo de tempo pode demorar dias, meses ou anos caso "nós" não tenhamos feito nada de errado - que a outra parte descobre que afinal o que sente por nós é Amor. Todas as duvidas, experiências ou incursões noutras vidas foram confirmações absolutas de como éramos o melhor que poderiam ter. Ou o que queriam mesmo. 

 

É no dia em que o que mais queríamos acontece que tudo deixa de acontecer em nós. E a ironia que há aqui? 

Abdicámos e cedemos tantas vezes quando tudo estava bem, sofremos quando tudo ficou errado, e quando o universo nos decide compensar com a confirmação que nunca queríamos que tivesse sido dúvida.... deixamos de sentir.

 

Quando a conclusão é essa vive-se depois de uma de várias formas : ou com uma culpa sem sentido, ou com uma angustia estranhíssima, ou encolhe-se os ombros e continua-se a viver e pensamos : azar. 

Não o nosso, claro. Nem da outra parte.

É que continuar a tentar vivendo com essa certeza é pura e simplesmente : adiar a conclusão e prolongar o sofrimento. 

 

Reparem : é a vida. 

 

E é óbvio que só a distância emocional me deixa abordar o assunto com a leveza a que me permito. 

Mas a alternativa é vivermos bloqueados por uma culpa que não me/nos pertence. 

16
Out13

A culpa é do Miguel.

Ana Gomes

 

 

 

Há coisas que sempre soubemos, mas que nunca nos apercebemos que sabíamos. 

 

Acontece-me. E depreendo que aconteça com outras pessoas também. 

 

Já fui mais crédula, já fui mais sonhadora, idealista. Não me lembro de acreditar em Contos de Fadas, mas tenho a certeza que um dia acreditei. Não sei o que é o Amor, nem a definição exacta do verbo : Amar. Flutuo constantemente entre a certeza e o vazio.  

 

Preciso - antes de continuar - de deixar um pequeno apontamento : Acho que as pessoas não têm de ser assim. As pessoas são como são. 

 

Por motivos importantes, mas que podem ser maçadores, sei que há coisas na vida que têm de ser aproveitadas no momento. Ditas na altura. Vividas. Sugadas. Que as pessoas têm de ser abraçadas, que temos de dizer "gosto de ti", que temos de fazer todas as declarações - sejam de que tipo for - quando sentimos esse impulso. 

A verdade é que as traições da vida nos levam as pessoas sem esperarmos. ( é este o motivo real e experenciado que me leva a ser assim ).

Ou somos levados pela vida. 

A única vez que tive um ataque de ansiedade dentro do avião foi no momento em que percebi que se aquela porra caísse... eu não teria dito a uma pessoa coisas muito importantes, que caso eu fosse desta para melhor, iriam resultar numa confusão danada. Pensei no filme do Almodovar e achei que haveria um telefone no avião e podia resolver a questão assim. 

 

Os meus retrocessos de expressão livre advém de uma certa resistência em lidar com a negação. Numa geração que se sente constantemente "pressionada" pelo par, pelo patrão, pelas obrigações... Há palavras de carinho que são extrapoladas e vão parar à caixa errada.

E o destinatário sente-se desconfortável com as palavras ou os actos espontâneos de Amor/Amizade/Carinho. Sente-se "pressionado". 

 

Não querendo ser sexista, mas analisando a minha vivência em termos percentuais, os homens das duas uma : 

 

- Ou não sentem coisas pueris e de uma beleza diferenciada, que surgem - na maioria das vezes - nos momentos mais simples;

 

- Ou não conseguem expressar esse sentimento, porque : 

 

a) A vida para eles é tão mágica que aquilo é só mais um momento;

b) Não têm capacidade de expressão. 

 

Antes que me saltem em cima eu digo já : Eu sei que há homens diferentes. E é por saber que acho que o meu coração se parte muitas vezes aos pedacinhos. É que sou do género de pessoa que se sente capaz de se apaixonar por um cheiro, por um toque, por um encaixe, por uma rua, por um sabor. Porque há dias em que eu queria um Miguel, não o Miguel claro, mas um Miguel. 

 

Falo do Miguel Esteves Cardoso e da forma como escreve para a Maria João. 

Ele disse que o Amor é Fodido, e eu sinto-me à vontade para pensar sempre : Foda-se! quando leio as crónicas dele para a mulher. 

 

A culpa é tua Miguel.

 

Porque mostras publicamente que os homens são capazes de não ter medo do ridículo, de ter ciúmes das coisas pequenas - que não pessoas, são particularidades. Tu Miguel escreves que existe a capacidade de amar os pormenores.

 

Esta revelação aconteceu pouco tempo antes de ir de viagem. Era... daquelas coisas que sempre soube, mas só fez o clique naquele dia. Foi por existirem crónicas como esta de 30 de Setembro, que tomo a liberdade de transcrever em parte, que confirmei com uma amiga querida, que o nosso mal era sabermos que há um Miguel... 

 

"Desde que a Maria João casou (oficialmente) comigo há treze anos, damos por nós a casarmo-nos um com o outro, voluntária ou involuntariamente, várias vezes por dia. 
Vou contar só uma. Esta semana, quando voltávamos da praia, a Maria João estava a pentear-se e deu-me uns cabelos soltos para eu deitar pela janela do carro. Tive ciúmes que alguém pudesse apanhar os lindos cabelos dela e disse-lhe. Dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento. E a Maria João disse: «Agora tenho eu ciúmes que alguém apanhe o cabelo com beijinhos teus». 

Casámos um com o outro nesse momento. Já tínhamos casado cinco vezes na praia. Casar é o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, são as duas únicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas não podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer só é possível para duas pessoas concretas: ela e eu." 


Ou um ano antes : 


O Meu Maior Medo

O amor em todo o coração e em toda a parte se procura. Já anima a possibilidade de ser encontrado e a incerteza de não passar o resto da vida sem poder amar e sem poder ser amado. O que custa é acreditar naquilo que se tem, quando todos os dias, ao longo de longos anos, se consegue encontrar esse amor que se procura, na pessoa que se ama e no lugar e no tempo - aqui, agora, daqui a bocadinho - em que mais gostamos de encontrá-lo. 
Hoje a Maria João e eu fazemos doze anos de casados e a única esperança que eu tinha - que se tornasse mais fácil acreditar na sorte que me coube na pessoa que ela é e na cegueira de olhar uma segunda vez para mim - acabou por ser mentira. 
Há um castigo para tudo: até para a maior felicidade. É o medo não só que tudo acabe mas que se descubra, de alguma maneira, que nunca tenha começado. Por exemplo, se ela se apaixonasse por outra pessoa. 
«Não vai durar, não pode durar, é bom de mais para durar»: é isto que repito no êxtase da minha alegria roubada ao sol, como se o nosso amor e a nossa vida um com o outro fossem um prazer retumbante com um fim à vista, naturalmente aceite quando chega, como comer um gelado. 
Mas dura e, quanto mais tempo dura, mais medo tenho que esteja mais perto de acabar. Não há habituação possível a esta felicidade. Não há conforto nenhum na passagem dos anos por este amor. 
Cada vez mais, torna-se a única coisa que peço a Deus e a ela: Maria João, por favor, não me deixes nunca. 


Os exemplos poderiam ser centenas, mas não consigo não deixar aqui outra transcrição : 


As Saudades Curtas


Também as versões-formiga dos maiores sentimentos têm tanto direito ao respeito como os leões e as impalas. Até por serem muito mais numerosas e frequentes, como está a multidão de insectos para com a pequena minoria dos vertebrados. 
A minha formiguinha emocional são as saudades curtas que eu tenho da Maria João. Plenas não posso ter, graças a ela e a Deus, porque são poucos os momentos em que ela não está comigo. Mesmo não sendo muitas, essas faltas, por muito felizmente pequenas e provocadas pela necessidade, são suficientes para incutir em mim a dor, nem que seja por cinco minutos apenas, de estar separado dela. 
Parecem estúpidas as saudades curtas. São certamente insensíveis e solipsistas, perante as saudades longas e profundas, que não têm cura nem, por serem insolúveis, têm a esperança de, um dia, deixarem de existir. 
São saudades de uma hora, de um almoço perdido, de uma tarde interrompida. Parecem irracionais e ingratas, estas saudades curtas, de que sofrem as pessoas apaixonadas e felizes ou infelizes. 
Mas não são. Daqui a um X número de horas, vou morrer. Daqui a um Y número de horas, vai morrer a Maria João. Morra quem morra, com a maior ou mais pequena das antecedências, o certo é que o tempo da vida e da saudade está contado. 
Cada hora que não estou com ela está para sempre, definitivamente, finitamente perdida. E é daí que vêm as saudades curtas do amor, que tomam cada momento por uma vida. Só por amor se vive assim. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (18 Jun 2011)'

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