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A Melhor Amiga da Barbie

04
Nov15

Quanto pesa um copo de água?

Ana Gomes

A história que vos vou contar pode ser o maior cliché. 

Mas há um motivo por trás de tudo o que se torna cliché : ou é a realidade repetida mil vezes ou é uma coisa que faz um sentido tremendo.

glassofwater.jpg

 

Ouvi esta história no ginásio e fez muito sentido para mim. Revi-me na analogia e acredito que isso acontecerá também convosco. 

 

Num congresso de psicologia em que o stress estava a ser debatido um psicólogo pergunta à plateia quanto pesa o copo que segura no braço esticado. 

 

A maioria das pessoas pensou na teoria do copo meio cheio / meio vazio mas o psicólogo insistiu para que avançassem com um peso. Na plateia as pessoas iam supondo : 350 gramas, 200 gramas, 375 gramas. 

 

Até que o psicólogo respondeu : o peso do copo irá sempre depender do tempo que o estiver a segurar nesta posição. Inicialmente o copo terá um peso suportável... mas com o passar do tempo o seu peso - ou o esforço para o segurar - será maior. O peso real do copo será - evidentemente - sempre o mesmo. Mas o que representa para quem o segura irá ser variável. 

 

É o mesmo com os problemas ou as situações do dia-a-dia. Quanto mais arrastarmos as nossas preocupações, quanto mais tempo deixarmos passar sem resolver um problema mais peso ele terá na nossa vida. 

 

Tenho um defeito meio complicado : uma necessidade extrema de falar sobre as coisas que me preocupam. Sobre as coisas que me desagradam. Consigo guardar as coisas para mim durante pouco tempo. Naturalmente que a vida trata de nos contradizer... e ultimamente por uma questão de razoabilidade tenho aprendido que nem sempre posso extravasar as minhas emoções. O que sinto? Que muitas vezes os assuntos me consomem mais do que seria suposto.

 

O que é que concluo ? Que se não der para pousar o copo na mesa... mais vale deixá-lo cair. Se partir.. partiu! 

02
Set14

Granola Caseira - com mel e muito Amor.

Ana Gomes

 

 

 

Quando era pequenita ADORAVA fazer bolos.

Mas de tal forma que não vos consigo explicar o quanto aquilo era mágico para mim. Foi tão assim que passou a existir uma relação emocional muito forte com a cozinha. 

 

De longe ia vendo a minha mãe e a Luisa ( uma vizinha muito amiga ) a preparar receitas que nos juntavam em torno de uma mesa durante óptimas refeições. Depois comecei a passar receitas - um caderno de argolas em que escrevia o que me ditavam ou o que ia vendo. Depois as revistas que pedia emprestadas e das quais transcrevia os bolos mais bonitos. Lembro-me que ao principio chocolate ou leite condensado eram motivo suficiente para constar nas linhas do meu caderno. 

Aos poucos fui-me pondo de joelhos no banco da cozinha e pedia para mexer os bolos. Foi a muito paciente madrinha da minha mãe que me ensinou as manhas todas. E foi ela que me mentiu quando me disse que as Claras ficavam MUITO pesadas e magoavam os braços e por isso era trabalho de crescidos. Senti-me traída no dia em que descobri que o problema dela era se eu estragava o bolo. 

Há um dia que nunca esquecerei. O Benfica foi jogar a Leiria e o meu primo de Paris foi ao estádio com o meu pai. Queria recebê-los no regresso com um bolo e pedi por tudo que me deixassem fazer. Eu, a minha mãe a madrinha sozinhas em casa. Lá fora uma tempestade diabólica e a luz... foi ao ar. Em cima da mesa branca farinha, ovos e açucar. Elas aflitas com medo da viagem que eles fariam com a tempestade, eu com os dedos enfiados na massa sempre a provar. Foi o dia em que aprendi que um bolo também se cozinha ao lume e que nem sempre é preciso ir ao forno. 

 

Nunca parei de escrever receitas. Parei foi de precisar de me por de joelhos em cima dos bancos para bater os bolos. Foi por ter o meu avô muito doente e com um maldito cancro que aprendi a fazer bolo sem pitada de gordura e com muito pouco açucar. Mas com muita laranja, como ele me pedia. Ainda o consigo ver sorrir quando o cheiro da massa quentinha lhe chegava ao quarto. Foi pouco depois de ter um motivo bonito para fazer bolos que parei de os fazer. 

 

Claro que voltei a cozinhar doces. Scones : para quando a minha mãe chegava com as amigas do teatro. Bolos de Chocolate infaliveis para os jantares de amigos e um bolo de frutos secos a meias com a minha Tia Vanda mais sagrado que o Bolo Rei na mesa de Natal. 

 

Ando há dias a pensar em Granola caseira e ontem num raro zapping vi alguém a preprarar uma receita simples na televisão. Agarrei no meu blocos de notas e tirei umas ideias. 

Hoje depois de uma reunião na Expo passei perto de um supermercado e vi-me de joelhos em cima de uma banco com a colher de pau na mão.

 

A receita foi meio inventada, sem medir ingredientes. Fi-la com o coração. E com a cabeça nas pessoas para quem cozinhei com mais Amor. 

E sim Titi... leva passas e tudo! 

 

Homemade Granola RECEITA : 

 

- Mel

- Canela

- Flocos de Aveia

- Arroz Tufado

- Mistura de Frutos Secos / Cristalizados ( Coco, Amêndoas, Avelãs, Manga, Banana Frita, Arandos Vermelhos, Passas ).

- Sementes de Girassol, Sementes de Abóbora

- Pitada de Sal

 

Aquecer o Mel com a Canela num tacho. 

Misturar todos os ingredientes secos, envolver com o mel quente e finalizar com uma pitada de sal. Levar ao forno num tabuleiro a 140º durante 20 minutos ( ir mexendo para dourar as várias partes da Granola ).

 

A mistura antes do mel : 

 

Tudo misturado e pronto para ir ao forno : 

 

 

 

 

 Depois de cozinhado : 

 

 

 

 

 

 

Bom apetite :) 

05
Ago14

Dos Dias em histórias.

Ana Gomes

 

 

O despertador tocava as 6. Outros dias às 6.20. Dependia sempre do banho.  

 

Honestamente não me lembro a que horas me deitava. Mas deixava sempre tudo pronto. A roupa dobrada na cadeira, os cadernos na mala ( larguei a mochila demasiado cedo ), as canetas e as bugigangas. 

Se fosse hoje levava o triplo das coisas. Gostava de recuperar aquele modo desajeitado e destemido. Na altura maquilhava-me com lápis branco e preto e com baton do cieiro. O cabelo dava pouco ou nenhum trabalho já que numa tarde em Lisboa tinha trocado - ao engano - os caracóis que me tocavam o meio das costas por um corte muito alternativo pela altura das orelhas. 

 

Quando chegávamos à estação de comboios sorriamos uns para os outros e procurávamos ocupar rapidamente os compartimentos isolados. O Bernardo subia para o apoio das malas e tentava sempre fintar o pica. Não é que ele não tivesse passe... fazia-o por diversão. Ficávamos ali aninhados uns nos outros, principalmente no Inverno em que os casacos serviam de mantas, e diziamos disparates. 

 

Eu gostava de ir ao lado do Timota. Ou do Zé. Com o Titi falava o caminho todo. Sempre foi um sonhador, sofreu demais na altura errada e provou desde cedo que era um Homem bom. Já o Zé era o meu amigo super protector. Tínhamos sido namorados, uma coisa muito a sério quando ainda éramos uns putos, eu completamente apaixonada por ele já tinha chorado um mundo inteiro a achar que não iria sobreviver quando ele me trocou por uma miúda gira... 

 

Mas nos anos em que apanhávamos o comboio de madrugada já éramos os melhores amigos do mundo. Afinal de contas eu tinha sobrevivido... e ele continuava a ser o "rei" do liceu. 

 

Na viagem de vinte minutos que atravessava campos de cultura e as muralhas do castelo de Óbidos iam entrando muitos outros amigos estação atrás de estação. Hoje sei que os cigarros que se fumavam neste espaço de tempo eram um exagero, mesmo se fossem hoje, sê-lo-iam em qualquer idade. 

Por causa destes passarinhos precoces os cafés abriam cedo. Em muitos dias a Joana pedia-me para ficar para trás. Íamos as duas mais devagar e ficávamos noutro café. Pedíamos alguma coisa para comer e tínhamos conversas muito sérias e trocavamos conselhos muito ingénuos com sabor a SG MENTOL. 

 

Depois íamos apressadas e cumplices para as aulas. O almoço era sempre o mesmo - um croissant de canela com queijo, por favor. E depois um café cheio. 

 

Fugíamos dos professores. Claro.

Mas quando estava sozinha, geralmente à espera do André, sentava-me perto da professora Teresa.Por estas horas todas vagas ouvi os Maias muitas vezes. E li-os outras tantas.

 

Tive várias paixonetas naqueles três anos. Convenhamos que me apaixonava com muita facilidade e geralmente sempre pelo inalcançável. E isso não queria necessariamente dizer um rapaz giro e muito desejado. Era quase sempre um rapaz mais velho, mais desengonçado e geralmente do grupo de amigos do namorado de alguma amiga. Os giros eram parvos e eu só os queria para amigos. Naquela altura todas as aulas eram o desejo de algum acontecimento épico no intervalo. Eram trocar papelinhos e mensagens com encontros, eram sms e toques entre telemóveis para traçar um plano. Era ir comer à cantina só porque o Hugo também ia e o "mano" João me tinha avisado. Era perguntar dez vezes se no final do dia iamos ao Parque comer um gelado na esperança que me deixassem no comboio para uma despedida à filme. 

 

Era juntar moedas e mais moedas para uma vez de duas em duas semanas irmos almoçar a uma pizaria. Beber sangria ao almoço e tentar sobreviver a uma tarde de aulas com uns copos a mais. A Catarina que tinha sempre uma postura muito adulta e fumava um cigarro entre as entradas e o prato principal, a Nádia que sempre me compreendeu com os olhos muito abertos. A Paula... a quem perdi o rasto sem querer. E a Xoana, que era Joana com Xis, e a Raquel as minhas companhias de disparate e inveja já que éramos as únicas três miúdas autorizadas no cantinho mais privado e "cool" da escola. 

 

Dividia-me entre grupos de amigos porque nunca fez sentido para mim que as pessoas não se dessem.

 

Naquela altura faltar um dia às aulas era perder coisas muito importantes - nunca matéria... se bem me entendem. 

 

Era ficar escondida nos placares do rés do chão do bloco B para a professora, da aula a que me ia baldar, não me ver. Era chegar quase sempre depois do toque e pedir desculpa com aquele ar de que teria sido impossível chegar mais cedo porque tinha estado a resolver assuntos importantíssimos.

 

Foi por essa altura que fui muito mal habituada. Um namorado tão doce que todos os dias - sem excepção - chegava mais cedo e ia embora mais tarde para me fazer sempre companhia. Me dava gomas e rebuçados em forma de coração e guardava as tampas dos iogurtes com frases para enfeitar os meus cadernos. O mesmo namorado que foi trabalhar duas semanas para poder ir comigo de autocarro para Barcelona depois de lhe ter explicado que afinal não gostava dele assim.  

 

Eu era tão feliz. Tão feliz com coisas tão simples. 

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