Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Melhor Amiga da Barbie

16
Jan14

Mercado de Santos - O meu Texto sobre o Amor.

Ana Gomes

Quando me contactaram da organização do "Mercado de Santos" para escrever uma história de Amor, ou sobre o Amor... respondi que não conseguia. Que não tinha nada de verdadeiramente inspirador para contar. Nada que acalentasse ou motivasse alguém a acreditar. 

 

Mas houve um argumento maior que me convenceu a escrever. 

 

Para quem não sabe o Mercado de Santos é "o mote para os eventos solidários realizados, periodicamente, no Porto. A organização, a cargo de um grupo de voluntários com um grande coração e muita força de vontade, procura promover o espírito solidário, recuperar laços de comunidade e vizinhança e apoiar causas humanitárias. Todos os lucros obtidos com a organização dos eventos revertem para causas previamente identificadas."

 

A próxima edição será dia 1 de Fevereiro, mas podem saber tudo na página de Facebook do Mercado de Santos . 

 

No final não sei se era isto que queria dizer. Mas foi o que disse: 

 

 

A tua forma de dizer Amor. 

Nunca soube o que era o Amor nos outros. 

Sei o que Amo, sei como o sinto, mas demoro a compreender o que é o Amor dos outros. 
Sei o quanto me custa verbalizar “Amo-te”. E o frio na barriga que senti a última vez que o disse pela primeira vez. O som daquela palavra, sussurrado ou gritado, tem uma vibração demasiado intensa.
Era assim que ia compreendendo o Amor dos outros. Nunca saberei o que sentem, mas posso acreditar que o sentem quando dizem : Amo-te.

Nunca dizes que me Amas. São algumas as alturas em que dizes que gostas de mim. Principalmente quando somos confrontados com coisas sérias. Dizes “tu sabes que gosto de ti.” e e eu diria “Eu só sei isso porque acabaste de o dizer.”, mas sempre calei essa resposta e ainda bem que o fiz. 
Do hábito da ausência da expressão veio a reacção ao Amor alheio. Raras são as vezes em que ao ver alguém conjugar o verbo Amar não me comovo. 
Do tempo ou da necessidade veio finalmente a compreensão. 
O teu Amor é quereres sempre perceber o que se passa comigo e ficares sentido se falo mal contigo ou se tenho menos paciência. É tapares-me os pés quando a manta fica mal ajeitada e apareceres com um grande copo de chá porque eu adoro. Deixares-me chorar anormalmente quando estou a escrever e - não compreendendo o porquê das lágrimas - saberes que não é momento para fazer perguntas. São as canecas de café e as torradas de pão escuro pela manhã. E reclamares se o meu verniz estalou ou se o cabelo está despenteado. É a tua falta de vontade para muitas das coisas de que gosto e acima de tudo a transparência desse enfado. É o orgulho que mostras quando me ouves falar com outras pessoas. A forma como aprendemos a adormecer juntos e como o fazemos tantas vezes a rir. É receber uma mensagem durante o dia para beber um abatanado e conversar, só porque sim.
Eu não posso fingir que foi fácil. Ainda não é. Mas sei que é bonita a forma como me tratas, o respeito que tens pela minha forma estranha de ser. Vou aprendendo a viver com o que não ouço e a saber que :

Trazes “Amo-te” nas coisas que fazes. 


Ana Gomes
Janeiro 2014

13
Jan14

Escrever.

Ana Gomes

Passei a semana passada a dormir muito muito mal. 

Tinha dificuldade em adormecer e acordava várias vezes durante a noite... Não é que geralmente durma profundamente, mas não houve um único dia que conseguisse descansar. 

E porquê? Entra várias pequenas coisas... por ter um trabalho para terminar. E não conseguia pegar naquilo. E quanto pior dormia, pior me corria o dia e trabalho NADA.

Ontem cheguei a casa com a perspectiva de mais uma semana de projectos e prazos para cumprir. Orientei as coisas e sentei-me no sofá.

Não sei o que me deu mas estive a escrever sem parar das 9 da noite às 4.30 da manhã. Acabei o trabalho.

Quando me fui deitar já eram 5 e o despertador estava programado para as 8.30.

 

Claro que foram as três horas e meia mais bem dormidas das últimas semanas.

 

A próxima insónia será culpa do Amor. Ah... eu a escrever sobre o Amor. Não vou deixar de lado o compromisso que assumi... isso de maneira nenhuma. Mas está-se a revelar mais difícil do que era suposto. Rascunhos, ideias soltas, frase daqui, frase dali. Registos de conversas. Estou a juntar o material todo. E é interessante perceber que a repetição é comum : 

 

" E foi esse o Amor da tua vida? (pausa) Não, não foi esse o Amor da minha vida. "

 

29
Dez13

Eu escolhi sentir.

Ana Gomes

 

 

 

Tenho uma sensibilidade artística demasiado evidente. 

 

Isto não é uma virtude, nem sequer é uma espécie de auto valorização. Quando falo em sensibilidade não digo que sou uma virtuosa que reconhece ao primeiro contacto uma obra prima. 

 

Sou simplesmente uma pessoa que reage emocionalmente - que resultam em reacções físicas - a objectos artísticos. 

Choro quando ouço algumas pessoas cantar, quando vejo alguns espectáculos, com muitas das coisas que leio... Raramente é de tristeza. É mais uma reacção "ao belo" e isso é difícil de explicar. Arrepio-me quando vejo certas atitudes, acontecem pequenos tremores de terra dentro de mim quando sou confrontada com certos momentos. 

Quando uma voz mexe comigo... os olhos enchem-se de àgua. Não é sequer uma coisa que consiga controlar ou provocar. Acontece. 

 

Isto não é mau. É só complicado algumas vezes, porque chega a ser pouco confortável. Para mim e para os outros. 

 

Perder esta sensibilidade não seria difícil. Bastaria conhecer quem está por trás do que provoca essas emoções. Mas não quero, é das poucas coisas da vida a que me permito o encanto, apesar de saber que pertence a uma realidade que não é a do nosso mundo. 

 

Tenho o exemplo prático de uma quantidade simpática de prosa que me partiu o coração, que me atirou ao chão, me fez feridas nos olhos, me fez sair de mim e entrar naquela dor, ou permitir que aquela dor entrasse em mim e a vivesse como fosse a minha. E depois a verdade de ter conhecido quem estava por trás daqueles sentimentos, daquela manipulação sentimental - que é a arte - e compreender no fim que sendo ou não real a história ( o que importa se é ou não verdade? é uma história. ) conhecer a pessoa que escreveu aquilo, a que venerei à distância considerável que separa o leitor do escritor, foi também o momento que conheci e entendi que aquele Ser Vivo em nada correspondia ao ideal sensível que construi na minha cabeça. 

 

E foi aqui que no meu caminho apareceu a bifurcação : ou seguia a via do encanto e me continuaria a emocionar, ou compreendia que por trás de todas as manifestações artísticas está um ser humano que não corresponde ao que projectei/projectámos o que arruinaria qualquer hipótese de compaixão. 

 

E decidi. Decidi que é bem melhor chorar com as letras, arrepiar-me com os sons, rir com as sensações, lidar com as identificações. Nunca pensando que por trás disto tem de existir uma realidade, ou um emissor que encerre em si a verdade que me mostra. 

O que importa isso? 

 

Só importa o que eu quiser. Nisto posso ser irracional. 

 

A arte pela arte. E o artista enquanto artista. Nunca enquanto pessoa. 

 

Lamento... mas o artista enquanto pessoa destrói tantas demasiadas vezes o objecto. 

 

 

 

 

09
Dez13

Escrever sobre o Amor.

Ana Gomes

 

 

Quando me pediram para escrever sobre Amor gelei. 

 

Recebi a mensagem com alguma surpresa. Mas não posso negar nunca a satisfação que sinto quando me pedem para escrever.

 

"Escreve sobre o Amor. Conta a tua história. Tenho a certeza que vais encher o coração de muita gente de esperança."

 

Lamento. 

 

Posso dizer que caí. Caí tantas vezes. No Amor mais puro. No amor carnal. E se servir de inspiração para alguém... posso dizer que estou aqui. Que quando parecia que nada mais fazia sentido e que o mundo ia acabar... Não acabou. Acabou-se "um" mundo. Não O mundo. 

 

Sobre o sentido das coisas não posso falar. Faziam antes? Alguma vez fizeram? Qual é o sentido? 

 

Não acredito no "para sempre", apesar de não achar que isso faça de mim uma pessoa menos romântica. Ou menos empenhada. Acho que sou só observadora, eterna insatisfeita e neurótica com alguma vontade de ter o calor de um abraço. 

 

Sei que há histórias de Amor que são lindas. Que são elogios à vida.

Mas não é Essa a minha história. 

E talvez por ter sabido de tantas dessas histórias maravilhosas. Por ter lido tanta prosa e tanto poema de homens que amaram sofregamente. Por saber viver a ilusão dos outros e ficar presa à minha realidade. Talvez por todas estas coisas não tenha uma história de Amor que possa inspirar. 

 

Acredito que aceitar a doçura do conforto, a adrenalina do improviso e a cumplicidade que vem numa lágrima ou numa gargalhada sejam tão importantes como confiar que vai tudo correr bem.

 

Em relação ao pedido que me foi feito, escreverei com ternura sobre o Amor. Mas não sobre o meu. 

 

 

 

 

PUB

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Playlist Spotify

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D