Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Melhor Amiga da Barbie

20
Nov15

Rubrica RFM - Vive A Tua Beleza - Melhorar a Auto-Estima Das Mulheres.

Ana Gomes

Hoje o tema é bem diferente do comum. 

 

Na verdade todas as dicas que partilhamos na rubrica de Sexta-Feira funcionam acima de tudo para que conheçam as principais tendências, mas que acima de tudo se sintam confortáveis e confiantes ao usá-las. 

 

Hoje gostava de vos apresentar uma nova plataforma " Vive A Tua Beleza " que procura reforçar a auto-estima das mulheres e desmistificar os padrões de beleza através da partilha de várias histórias e experiências de mulheres... como nós. 

 

Venho-vos não só convidar a conhecer a história das embaixadoras como a partilhar as vossas! 

Captura de ecrã 2015-11-19, às 21.46.39.png

 

Deixo-vos as informações sobre o projecto : 

 

Numa altura em que os blogues são, cada vez mais, canais de comunicação poderosos, 8 bloggers dão a cara pela beleza real e amor-próprio. 

Não existe um padrão de beleza, ela não é definida por uns dentes perfeitos, um tamanho 34, uns olhos azuis ou abdominais tonificados. A beleza está em todas as nossas particularidades, é tudo aquilo que somos e aquilo que projetamos para o exterior, esta é a mensagem do movimento #Vive a Tua Beleza.

 

Adriane Garcia (O Meu Vício), Helena Magalhães (The Styland), Magda Soares (Macarons & Purpurinas), Marta Martins (Pegada Feminina), Sara Cabido (Little Tiny Pieces), Eu (A Melhor Amiga da Barbie), Marta Pinto de Miranda (M por Amor) e Sara Meess (Diary of Fashion) partilhamos as nossas histórias e esperamos com elas inspirar outras mulheres a aceitarem-se como são e aquilo que a vida lhes vai trazendo.

 

“Este grupo de 8 mulheres espelha diversos tipos de corpo, de histórias, de mentalidades e formas de lidar com inseguranças, com o objetivo de chegar a públicos diferentes. Queremos pegar na severidade que é não sermos aquilo que a sociedade nos impõe como perfeito e mostrar como podemos ser felizes”, explica Helena Magalhães, jornalista e mentora do projeto #Vive a Tua Beleza.

 

O objetivo é mudar a mentalidade do que é a perfeição e passar a mensagem de que as mulheres têm de aprender a ser felizes aceitando-se como são e procurando a melhor versão de si próprias. 

O Movimento #Vive a Tua Beleza

 

Este movimento dirige-se a todas as mulheres e procura aliviar os padrões inatingíveis de beleza. O ponto de partida são as 8 histórias por detrás de cada rosto destas bloggers, publicadas na plataforma www.viveatuabeleza.pt, e procura depois estender-se a todo o público feminino.

A hashtag #viveatuabeleza foi criada para que todas as mulheres possam partilhar as suas mensagens, as suas fotografias e criar um movimento de inspiração e empowerment de mulheres para mulheres. 

 

 

Os Parceiros #Vive a Tua Beleza

 

A marca de beleza O Boticário e a marca de moda Salsa uniram-se a este movimento. “Queríamos ter marcas que compreendessem as mulheres e que praticassem, nas suas filosofias de venda, valores positivos em prol da auto-estima”, afirma a mentora do movimento.

 

“As mulheres são, de fato, as musas inspiradoras da marca O Boticário cuja missão é fazer as pessoas mais felizes através da beleza.
Falamos de beleza num sentido amplo que assenta muito na valorização e realce da beleza única de cada mulher e que se reflete em auto estima e na certeza que temos de que as mulheres mais felizes são mesmo as mais bonitas.  
O movimento #Vive a Tua Beleza materializa todos estes princípios e acreditamos que será uma fonte de auto estima contagiante e inesgotável para todas as Mulheres portuguesas. E essa é a razão de ter todo o apoio de O Boticário desde o 1ªmomento”
revelou Francisca Távora - Relações Publicas O Boticário em Portugal.

 

“A Salsa decidiu aceitar este desafio pois o mesmo enquadra-se na perfeição nos valores da Marca. A Salsa tem mais de 20 modelos diferentes que se adaptam como uma segunda pele a cada um dos nossos clientes. Acreditamos que somos todos diferentes e que os jeans perfeitos são aqueles que nos fazem sentir bem no dia-a-dia” refere Michelle Quintão - Brand & Marketing Director da Salsa.

 

A campanha #Vive a Tua Beleza foi fotografada por Paula Bollinger (www.paulabollinger.com), filmagens realizadas e editados por João Belo com música de António Miguel Santos

 

Todas as histórias, fotografias e vídeo do making of deste projeto estão disponíveis na plataforma www.viveatuabeleza.com.

 

#Vive a Tua Beleza

Site | www.viveatuabeleza.com

 

 

O meu testemunho alargado foi este : 

 

"Não podia começar esta partilha de outra forma. O meu maior desabafo é este : Tenho muitas saudades do tempo em que gostava de me ver ao espelho. 

 

A minha história não é única. Muito menos especial. Mas em jeito de resumo posso-vos contar que num período da minha vida comecei-me a sentir muito desconfortável. Eu que sempre tinha sido um “ser social” comecei a ficar instável quando estava exposta a ambientes mais festivos. 

Lembro-me perfeitamente de estar no Sudoeste e sentir tudo a andar à roda, o coração a disparar : garanto-vos que não tinha bebido ou fumado nada. O corpo gelou : queria uma cama e um edredon quentes. O caminho até à pousada onde estava a dormir foi um tormento : infinito, desconhecido e frio. 

 

É a primeira memória que tenho de um ataque de pânico. Tenho memória de vários. Consegui-me esquecer de alguns. Foram anos complicados. A ansiedade ainda mora comigo… apesar de a ter tentado expulsar com justa causa. Aprendi com o tempo a aceitá-la assim. Como um inquilino indesejado mas contra o qual não posso lutar. 

 

O problema do pânico e da ansiedade foram os refúgios. Os evitamentos. Deixei de fazer todas as coisas que me davam prazer porque se tornaram dolorosas e incómodas. Deixei de ir aos sítios que gostava porque todas as viagens eram uma tortura. 

Tudo me doía. E o corpo estava sempre gelado. 

Estava constantemente doente. As análises não mostravam nada : infelizmente o sangue não revela causas psicossomáticas. Os sintomas estão lá, as dores e muitas vezes as reacções : mas não há motivo infeccioso. 

 

A última vez que me pesei antes do meu corpo se ter começado a ressentir pesava 43 kg. 

O meu cabelo era uma lástima e a minha pele : deplorável. 

 

Controlava tudo o que comia e o que bebia com medo de ter dores, infecções ou uma urgência inconsolável de me fechar numa casa de banho. Comer antes de andar de carro? Impensável! 

 

O desespero dos meus pais levou-me a um consultório médico. Eu em negação : achava que estava bem. Não só fisicamente… Para mim a minha condição era uma forma de estar na vida. Desagradável mas inevitável.

 

Várias consultas e centenas de comprimidos depois os ataques de pânico passaram a ser a excepção e não a regra dos meus dias. A ansiedade continua aqui como vos disse. 

 

Várias consultas, centenas de comprimidos e 30 kg depois. Foi a última vez que me pesei depois de estar bem : 75kg. Não quero. Não aguento. 

 

Passei de um 32 para um 44. Passei de uma depressão profunda para um estado depressivo por não me conseguir encarar em fotografias ou por não compreender o que o espelho reflectia. 

 

Sei que hoje não peso 75kg. Sei-o não porque me peso… mas porque a roupa ( e o reflexo ) contam uma história diferente. 

Se me sinto bem no meu corpo agora? Seria hipócrita dizer que sim. 

Pior ainda seria dizer que me senti bem 30 kg depois. Mas era pura e simplesmente uma questão de auto-confiança : isso trabalha-se.

Sentir que o meu corpo não se liberta do peso a mais pode ser um problema de, em tempos, ter estado em carência extrema. 

 

Mas a realidade é que passei de quase-morta (social e fisicamente) para uma pessoa capaz de sair de casa e enfrentar os dias - literalmente e fisicamente. 

 

Estou longe de me sentir uma mulher bonita ou atraente. Estou longe de caminhar confiante com o meu corpo. 

 

Mas hoje sou capaz de fazer tanta coisa. " 

 

 

04
Nov15

Quanto pesa um copo de água?

Ana Gomes

A história que vos vou contar pode ser o maior cliché. 

Mas há um motivo por trás de tudo o que se torna cliché : ou é a realidade repetida mil vezes ou é uma coisa que faz um sentido tremendo.

glassofwater.jpg

 

Ouvi esta história no ginásio e fez muito sentido para mim. Revi-me na analogia e acredito que isso acontecerá também convosco. 

 

Num congresso de psicologia em que o stress estava a ser debatido um psicólogo pergunta à plateia quanto pesa o copo que segura no braço esticado. 

 

A maioria das pessoas pensou na teoria do copo meio cheio / meio vazio mas o psicólogo insistiu para que avançassem com um peso. Na plateia as pessoas iam supondo : 350 gramas, 200 gramas, 375 gramas. 

 

Até que o psicólogo respondeu : o peso do copo irá sempre depender do tempo que o estiver a segurar nesta posição. Inicialmente o copo terá um peso suportável... mas com o passar do tempo o seu peso - ou o esforço para o segurar - será maior. O peso real do copo será - evidentemente - sempre o mesmo. Mas o que representa para quem o segura irá ser variável. 

 

É o mesmo com os problemas ou as situações do dia-a-dia. Quanto mais arrastarmos as nossas preocupações, quanto mais tempo deixarmos passar sem resolver um problema mais peso ele terá na nossa vida. 

 

Tenho um defeito meio complicado : uma necessidade extrema de falar sobre as coisas que me preocupam. Sobre as coisas que me desagradam. Consigo guardar as coisas para mim durante pouco tempo. Naturalmente que a vida trata de nos contradizer... e ultimamente por uma questão de razoabilidade tenho aprendido que nem sempre posso extravasar as minhas emoções. O que sinto? Que muitas vezes os assuntos me consomem mais do que seria suposto.

 

O que é que concluo ? Que se não der para pousar o copo na mesa... mais vale deixá-lo cair. Se partir.. partiu! 

19
Set13

A Ansiedade e o Regresso às aulas.

Ana Gomes

 

 

 

 

 

Ainda sobre as ansiedades e os medos. 

 

Estou numa paranóia indecente e inexplicável com a minha reentrada no mundo académico.

 

Se paro uns segundos para olhar para as minhas mãos percebo que tremem. Estou desconfortável. Sinto-me com um buraco, ou com um saco cheio - já nem sei! - na barriga. 

 

Estava a voltar do Porto no Alfa para Lisboa e enquanto me entretida no I-Pad encontrei este curso. Na altura tudo parecia fazer sentido. Ainda durante a viagem enviei um e-mail, na esperança que estivesse para começar, já que era uma publicação recente, mas já tinha começado. Nova edição só em Setembro. 

 

Na altura estava numa licença sem vencimento, e queria tirar o máximo partido de todo o tempo, e estava - para todos os efeitos - numa fase mais relaxada e menos ansiosa. 

Não querendo estagnar intelectualmente, e compreendendo as vantagens de estar inserida num contexto rigoroso fora do local de trabalho, fiquei mesmo contente quando percebi que o preço das propinas nem seria um problema, comparativamente a outros cursos que andei a sondar.

 

Resumindo : Eu queria MUITO fazer este curso. 

 

Quando as coisas começaram a ficar menos fáceis, como partilhei convosco num post, quando voltei a uma fase menos pró-activa e disponível emocionalmente... A primeira coisa que me passou pela cabeça foi, não vou conseguir. E na altura o meu Pai, que é uma pessoa muito razoável, e que sempre fez questão que nem eu nem o meu Irmão parássemos de estudar, supreendeu-me ao sugerir que se eu achasse que não era a altura, então para o ano voltava a inscrever-me. E agora reservava mais tempo para mim.

 

Neste momento, e a escassos minutos da primeira aula, sei que o meu Pai tem toda a razão. Não me devia ter pressionado a ir. Não devia, numa altura em que mal posso com as rotinas que tenho, ter acrescentado uma obrigação e uma fonte de stress ao meu calendário. E existe uma guerra fenomenal dentro da minha cabeça.

 

Nos últimos tempos e pensando nisso acabei por me concentrar naquela viagem de comboio em que este curso era mesmo aquilo que eu estava a precisar. E hoje lá fui eu inscrever-me, com a nítida sensação que estava a dar estalos em mim própria. A culpa não é naturalmente do curso, ou da escola, ou dos exames... 

 

Daqui a pouco começa a primeira aula do primeiro semestre. 

E eu, que deveria estar ansiosa por ir conhecer pessoas novas e aprender, estou num terror que nem eu consigo explicar. 

 

Bom... eu vou tentar. Mas se não conseguir, quero ser forte o suficiente para não me culpar. 

 

 

28
Ago13

"Este Medo Sem Sentido".

Ana Gomes

 

 

Este é um dos posts mais íntimos que alguma vez aqui partilhei. 

E eu até falo bastante da minha vida por estes lados. 

 

No fim deste texto irei muito provavelmente pensar que raio me passou pela cabeça para me expor desta maneira - de facto esse pensamento já me assombra - mas... a verdade é que penso que ao expor uma situação poderei ajudar outras pessoas a sentirem-se menos sozinhas. Ou a olharem com outros olhos para pessoas que sentem coisas do género. 

 

Apropriar-me do título de um livro para explicar isto pode soar a desonesto, mas é a melhor descrição que existem " Este Medo Sem Sentido". 

 

Eu não sei dizer quando é que isto começou. Lembro-me de ter sempre uma tendência para a melancolia, uma aptidão para o vazio, para as actividades solitárias. 

Apesar de tudo, eu sinto-me um ser social, adoro conversar, adoro a companhia das pessoas, e gosto de actividades que impliquem estar com outras pessoas. 

Ou.. gostava, ou talvez goste só em algumas alturas. Não sei quais, não sei quando, nem consigo prever como é que estas alterações se processam. 

 

A verdade é que há momentos em que o meu desejo mais sincero é estar fechada, sozinha, sem obrigações, responsabilidades, ou qualquer tipo de dever social ou pessoal de me levantar da cama e viver o dia. Associado a esta apatia, vem um sentimento de culpa gigante, como se em mim vivessem duas pessoas. Ou se pura e simplesmente a minha educação repreendesse o meu estado. 

 

A que não tem vontade. E a que sabe que as coisas não podem ser assim e se resigna. 

 

Analisando as coisas friamente : Falo de boca cheia. Se pensar objectivamente que motivos tenho para me sentir assim ? Nenhum. 

Tenho a sorte de ter uma família incrível, de ter uma casa, um emprego, os cursos que quis tirar, as viagens que quis fazer, o frigorifico cheio, um telemóvel e as contas todas certinhas, sem dever dinheiro a ninguém, sem viver acima das minhas possibilidades. Tenho uma educação que me fez ser altruísta, e nesse sentido sentir-me um ser humano razoável. Tenho a minha dose de pecados, mas a certeza de que por outro lado a minha sinceridade me faz ter apenas uma cara. E se digo o que tenho a dizer, digo-o a quem de direito. 

 

Mais uma vez, não existe nenhum motivo que torne legitima esta dor, esta angústia ou esta falta de sentido. E por muito ridículo que tudo isto possa parecer, é isto que torna tudo ainda mais complexo. Quando conseguimos despistar o motivo da nossa tristeza, podemos trabalhar e tentar construir mecanismos de defesa. Atenção, eu não estou com isto a querer ser injusta, ou a dizer que é mais fácil ter um problema perfeitamente identificado, só considero que o processo mental que será preciso para o ultrapassar possa ser mais objectivo. 

 

Exemplo : Já me fui abaixo por ter terminado uma relação e construi os alicerces que me permitiram ultrapassar essa perda. 

 

Mas este caso é completamente diferente, e se existem períodos em que não sinto ( sentimos ) rigorosamente nada e está tudo a rolar... há outros em que tudo desaba, a atracção para o abismo é magnética e não conseguimos descolar daquele sitio esquisito. Onde não queremos estar. Acreditem. 

 

Não se trata tão pouco de querer chamar a atenção. Longe disso. 

Os ataques de pânico e de ansiedade não se tornam mais fáceis ao captar atenção alheia - pelo contrário. Nestes momentos estar sozinha até costuma ser o caminho mais simples, para não termos de expor a nossa fraqueza às pessoas que nos são queridas. Porque em última análise esta é a manifestação fisica que não conseguimos esconder e/ou disfarçar. 

 

Se digo a alguém que não quero ir jantar, ir ao cinema, ir sair, naturalmente que ninguém percebe. E se digo que não o consigo fazer, então muito menos. 

Mas dói. E explicar isto? explicar que o corpo se manifesta como se estivesse realmente a ser torturado? 

 

A semana passada fiz uma viagem de carro e durante uma hora e pouco, transpirei, senti todos os órgãos do meu corpo em tensão e a minha cabeça não parava de viajar para as situações mais sem sentido. Quando me disseram "está quase, já passou, estamos a chegar..." , a minha resposta foi idiota "isto só me vai passar quando estiver em casa, isto mal começou!". 

 

Se é medo de morrer? Não é de todo. A morte não entra nesta equação como algo que se teme. Pelo menos não na minha cabeça. 

Não é o medo de ter um acidente. Nada disso. 

 

Os maiores medos estão associados precisamente à vida, aos aspectos mais comuns : a responsabilidade de cumprir um horário de trabalho e não ser capaz, ter-me inscrito num curso e arrepender-me no momento em que recebo um mail a dizer que fui admitida, ter uma reunião marcada e não querer ir, ter um convite para qualquer coisa e pensar que estava bem era em casa enfiada na cama a beber um chá. Fugir da inscrição num ginásio, pela obrigação de o frequentar pelo simples facto de o estar a pagar. Ir jantar fora e sentir-me mal. Sentir-me mal ao pé de pessoas que não me conhecem, e passar uma péssima impressão. 

Digamos que existem reacções fisicas associadas a este mau estar e que são dificeis de camuflar socialmente, por muito que me esforçe. 

 

E é este ponto que me faz recuperar um post que aqui escrevi anteriormente e que falava da depressão, em que ao encontrar um livro sobre o tema eram sugeridos dois tipos de abordagem por parte das pessoas que lidam com estas casos - falo de pessoas "exteriores" à "doença", ou seja familiares/amigos/pessoas próximas do depressivo. Mas em que apenas eram contemplados os casos em que os mesmos compreendiam e aceitavam este estado. 

 

Ora isto não é real. A grande maioria das pessoas não aceita, não compreende e não sabe lidar com este tipo de patologias. E quem sou eu para culpá-las? Eu que não entendo de onde vem esta angustia, esta apatia, esta não vontade. Eu que vivo na pele, no corpo todo, e mais vezes do que gostaria com este mau-estar, que vivo numa luta comigo mesma por não o entender, como é que posso esperar que as pessoas que me rodeiam o compreendam? 

É frustrante? 

Bastante. 

 

Tanto para mim, como para todos aqueles que fazem tudo para que a minha vida seja espectacular, e mesmo assim eu continuo a preferir o caminho mais negro, menos simpático e mais azedo. E não é uma coisa de agora. A ironia do destino fez-me dar de caras com o livro que mencionei no principio, que se chama " Este Medo Sem Sentido... A Ansiedade na Adolescência" de A. Santos Pereira, que li quando tinha 10 anos. E que sublinhei. Eu que sempre achei que não "massacrava" os livros, encontrei provas do meu desespero precoce riscadas num livro. 

Não acho que tenha sido um "cry for help", aliás... nisso os meus pais sempre foram muito atentos, e quando eu cheguei ao ponto mais critico da minha saúde fisica, e eles se aperceberam de que todos os alarmes estavam a soar, procuram orientar-me da melhor maneira possível.

Não sei o que teria acontecido se não tivesse sido "resgatada". 

 

E este é também um ponto sensível na questão. Saber-me rodeada de pessoas que se esforçam por tentar compreender e ajudar e naturalmente... não conseguem. Porque aqui quem tem de fazer o trabalho sou eu. E quando eu sou a primeira a render-me ao desconforto... não há muito a fazer. 

 

Em conversa com um colega, ele comentou que eu era uma pessoa sorridente, com sentido de humor, que a minha presença iluminava e que nunca me imaginaria numa situação semelhante às que descrevi em cima. 

Eu não finjo ser o que não sou. Na verdade eu gosto de me rir, gosto de sorrir, gosto da partilha, gosto das coisas todas que ele enumerou. O que eu não gosto é dos meus períodos negros. Desses é que eu não gosto. E são esses que não consigo perceber. É desses que eu queria fugir. Mas as soluções provocam uma dor que os pensos rápidos desta vida não conseguem curar. 

Dizem que o principal é "não fazer evitamentos", mas no meio disto tudo, passar a vida contrariado para não fazer os tais evitamentos também não é pêra doce. 

 

Como não é pêra doce olhar para o espelho e ver os meus olhos vazios, e ver os olhos das pessoas que se preocupam em modo desespero de não saber o que fazer. 

 

E a tendência em mim cresce para o isolamento, para o afastar as pessoas, porque por muito grande que o amor seja, não acho justo privar alguém das suas vontades, liberdades, e acima de tudo da sua vida social, quando a minha vontade é de me isolar. Encerrada num mundo onde a culpa e o silêncio são meus. De mais ninguém. 

 

___________________________________________________

 

Tenho recebido uma série de mensagens e e-mails de pessoas que partilham situações semelhantes, por este ou por outro motivo decidem partilhar comigo coisas que se passam nas suas vidas e as impedem de progredir, apesar de eu nunca ter partilhado a minha situação no blog.

Por compreender isso, por compreender o lugar onde essas pessoas estão, decidi que hoje a minha catarse seria pública. Porque sei que há mais gente a viver "este medo sem sentido", e por muito revoltante que seja, por muito incapacitante que tudo isto acabe por ser, não estamos sozinhos. E sabendo bem que isto não melhora nada, porque não desejo a ninguém que sinta isto, pelo menos sentimo-nos menos anormais, numa sociedade em que a pressão para que tudo se desenrole nos parâmetros da "normalidade" nos faz sentir uns fora-da-lei emocionais. 

PUB

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Playlist Spotify

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D