Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Melhor Amiga da Barbie

07
Mar18

Os Pequenos Demónios da Alimentação.

Ana Gomes

 

 

D1928728-92F2-461B-8596-B3289BEA28D3.jpeg

 

 

 

Penso sempre um bocado antes de me aventurar a escrever sobre alguns temas. 

Este é um desses casos. Mas depois de ter “aberto” a caixa de pandora nos stories do Instagram comecei a sentir que… talvez até fizesse sentido escrever sobre isto. 

 

Estou-me a referir a alimentação e mais concretamente à alimentação da Vitória. Acho que todos somos obrigados a reconhecer que atravessamos uma fase relativamente complexa no que à produção alimentar diz respeito. O mesmo alimento hoje é substancialmente diferente do que há uns 50 anos atrás. Não só porque a ciência evoluiu e passou a ter uma acção directa sobre a industria mas também porque o clima e o ambiente se têm vindo a alterar significativamente. Não vale a pena falar de “lobbys” e industrias que se financiam numa realidade paralela porque isso seria entrar em terrenos pantanosos e nem vale a pena ir por aí. 

 

Aquilo que há uns anos atrás era considerado normal e fruto da revolução industrial… veio-se a revelar o principal combustível de muitas doenças degenerativas que começam a ser demasiado comuns na nossa sociedade. Ainda assim parece que queremos ignorar ou que alguém quer que isso não seja assim tão evidente no nosso dia-a-dia. Já se tentou explicar que o açúcar não é dos melhores alimentos do mundo - ainda que seja dos mais saborosos… é um facto - e que os E's são potencialmente cancerígenos. Mesmo assim as bolachas maria continuam a ser recomendadas por nutricionistas e a ser oferecidas diariamente nos hospitais. 

 

Vamos por partes : caramba… eu ADORO o sabor das malditas bolachas… mas se já sei que não são uma boa opção… porque é que não há um controlo e um alerta maior? Estou a dar - e espero que compreendam - um exemplo bastante pequeno mas que acredito que possa ser representativo já que está na base de alguma das minhas chatices. Posso dar mais exemplos: é muito diferente comer um pão de ló caseiro, cozinhado com alimentos simples e minimamente puros… do que comer um pão de ló com validade de meses e cheio de conservantes e intensificadores de sabores. E sim… é muito diferente comer um pão que tem como ingredientes água, farinha, fermento e sal de um outro pão que se faz valer de uma extensa lista de componentes. Podemos pensar o mesmo quando comparamos uma sandes com doce de fruta sem açucares adicionados e um croiassant com nutella. Todos compreendemos a diferença? E sim.. eu sei que pensaram o mesmo que eu... o croiassant é muito mais saboroso ahaah. Estou a tentar dar exemplos básicos e do dia-a-dia. Eu não critico ( que me venha aqui dizer quem é que me ouviu falar mal ou dizer que alguém não devia comer uma ou outra coisa ) a alimentação que os meus amigos fazem ou escolhem para os filhos. Mas é raro o dia em que as escolhas que eu faço não são alvo de piada fácil ou são retratadas como algo que é um castigo para a minha filha. 

 

“Os meus filhos sempre comeram de tudo e cresceram saudáveis.” Ora… que boa noticia! A sério… sem ironias. Mas se eu tenho hipótese de escolher, se eu me tento informar, se faço escolhas em consciência porque é que eu sou a complicada e as outras pessoas as certas? Não me acho dona da razão e adoro uma pizza daquelas mesmo mazinhas. Mas isso é a excepção da minha alimentação. Quando a como sabe-me pela vida e como-a sem culpas. Nada me garante que não vá ter uma dorzita de estômago ou um inchaço extra mas… eu sei o que estou a fazer e sim… o que estou a fazer é errado. 

Numa altura em que não somos privados de espaços comerciais com produtos frescos, em que há várias empresas que fazem inclusive entregas à porta de nossa casa, comer alimentos altamente processados e com mais ingredientes modificados do que naturais é uma escolha nossa e não a "alternativa possível". 

 

Acho - muito honestamente - que preferimos não saber. Preferimos não saber como são produzidos os alimentos que nos chegam ao prato, como são criados os animais que comemos ou quantos pacotes de açúcar estão naquele chá gelado… que afinal é chá e não deve fazer assim tão mal. Como os cereais que se têm bonequinhos nos pacotes devem ser espectaculares para os miúdos ou as papas que se dão há anos e pertencem a empresas mais do que credibilizadas. É mais fácil não querer saber, não pensar… acredito mesmo que até quem poderia ter um papel mais pro-activo na educação dos pais não perde tempo com isso. E sim… estou a falar de médicos e de empresas que organizam os menus das escolas dos miúdos. E sim… também estou a generalizar porque enfim… estando a ser conscientemente injusta estou já a deixar a ressalva de que devem existir pessoas e entidades diferentes mas não são - infelizmente - aquelas com que convivo. 

 

Não se enganem. Eu não acho que sei tudo ou que sei muito sobre alimentação. Eu sei mesmo muito pouco. Vou tentando saber e vou tentando aprender e empiricamente consigo perceber que alimentos mais simples e sem rótulos serão melhores para nós que nascemos também sem rótulos e sem conservantes e espessantes e estabilizadores artificiais. A Vitória com pouco menos de 10 meses também já conhece o prazer de comer uma bolachinha. Mas enfim… uma bolachinha que sendo saborosa é menos … artificial? 

 

Eu volto a dizer : isto não é uma critica aos outros pais. É só um "parem de me chatear se ninguém vos chateia e há informação para quem a procura." Tudo aquilo que disse não resulta de anos de estudo da minha parte. Nada disso... está escarrapachado em todo o lado. Escolhemos dar ou não dar. Acreditar ou não acreditar. E não qualquer problema da minha parte para quem dá. NADA mesmo. 

 

Sei que vai ser uma batalha dura. Sei que vou continuar a ser gozada, ridicularizada, sei que haverá um momento em que a minha filha irá ter de lidar com isso. Irá ter de ouvir “ ah… mas tu não podes porque a tua mãe não quer” … “ah… pois… a tua mãe não deixa”. 

 

Espero que não se zangue comigo. Como eu nunca me zanguei com os meus pais por me mandarem cenouras cruas para o lanche em vez de pão  de brioche com tulicreme. E sei… que tal como eles vou dar à Vitória a oportunidade de provar tudo o que quiser. Mas será sempre a grande excepção e nunca a regra. 

 

Cada um faz o melhor que sabe. não é verdade ? E eu acredito naquilo que estou a fazer para a MINHA filha. E é nela... e só nela que penso. Não percam tempo a pensar tanto nela e naquilo que ela come... ou no caso... no que não come. 

 

 

( tenho que deixar uma nota para as educadoras da minha filha que são óptimas no que à alimentação da Vi diz respeito e com quem estou à vontade para brincar sobre o assunto. Apesar da escola da Vitória exigir uma declaração médica para todas as excepções á regra... quando a declaração aparece é tudo cumprido na integra! E não estamos a falar de um colégio privado ou algo do género. Claro que o pediatra da minha filha disse aquilo que me apetece responder sempre que me pedem a declaração... " Mas a mãe não é responsável pela sua filha? As escolas têm de acatar as escolhas dos pais que não prejudicam as crianças". ) 

20
Fev17

O primeiro conflito.

Ana Gomes

e8c5cc67df3c9d22ae5a576a04b68c1a.jpg

 

 

Hoje de manhã fui tentar encontrar a creche/berçário que fica perto da nova casa.

 

O meu sonho é que a Vitória ande numa escola com pedagogia Waldorf mas em nada me chocava que frequentasse uma escola "normal" nos primeiros tempo de vida. 

 

É óbvio que o preço das mensalidade é algo a ter em conta... mas para mim a proximidade da comunidade e poder brincar e crescer com os meninos que vivem perto também pesava na balança. 

 

Posto isto hoje de manhã, depois de ter ido à obra, decidi ir à escola. E tive o meu primeiro grande conflito... de onde saí triste, sem ter sequer tentado argumentar e com receio de represálias. 

 

Enquanto esperava olhei para o menu da semana. E quando fui recebida perguntei se seria possível levar as refeições da menina para a escola. Responderam-me : Não... come o que há para comer. 

Insisti : Mas se eu optar por uma alimentação alternativa? Posso trazer a comidinha dela? Se não quiser que ela coma carne por exemplo. 

Resposta : Não. As crianças comem todas o mesmo. E precisam de proteína. 

Eu disse : Precisamente, precisam de proteína... eu só não queria que ela comesse carne. 

Levei com um olhar fulminante, um atestado de estupidez e a nota de que o problema das crianças eram este tipo de pais. 

 

Vim embora mesmo triste. Eu não acho errado que as crianças comam carne. Eu não disse isso em momento algum. Eu preferia que a minha filha bebesse leitinho vegetal, comesse cereais sem açúcar e pudesse ter uma alimentação preparada por mim - e sim, sem carne - mas que pudesse brincar com os outros meninos e fazer parte do mesmo sistema. 

Eu sempre soube que a alimentação poderia ser uma filosofia de vida mas... nunca pensei que pudesse ser tão "exclusiva" no real sentido da exclusão. 

 

Eu nunca me senti diferente por ter uma alimentação diferente. 

Também sei que daqui até que a menina coma falta quase 1 ano... mas fiquei verdadeiramente desolada com a posição de quem está do lado da escola. Eu não exigi que preparassem nada. Pedi se podia levar as refeições quando fosse caso disso. 

Sou uma mal formada. 

 

E assim vai o mundo. 

29
Dez16

Workshop Receitas Saudáveis - Mitosyl

Ana Gomes

Mitosyl_067.jpg

 

Há umas semanas recebi um convite muito especial da MITOSYL

Acredito que já conheçam a marca mas com toda a certeza que - pelo menos por aqui - irão ouvir falar muito mais já que vai ser super importante nesta nova fase.

 

Marcámos encontro no Instituto Macrobiótico para um workshop de Alimentação Infantil Saudável. Este ponto é particularmente sensível para mim. Tenho algumas preocupações neste capitulo, não tanto pela postura que quero ter em relação ao meu bebé mas pela resistência das pessoas que me rodeiam. 

Sei que os meus pais aceitam tranquilamente a opção que quero tomar ( de excluir a carne da alimentação e de preferir uma alimentação mais natural ) mas sei-o porque aceitaram que tomasse essa decisão para mim. Diariamente lido com pessoas que continuam a questionar as minhas opções e sei que o farão com uma lupa maior sobre o meu bebé. Ainda assim a minha decisão está tomada. E depois de tomar uma decisão deste calibre não há nada mais importante do que informar-me o mais possível. 

Ora... o convite para este workshop não podia ter sido mais apropriado. E ainda que seja precoce pensar nisso - ainda faltam alguns meses até nascer, e teremos vários meses de amamentação exclusiva pela frente - eu adoro aprender e senti-me ainda mais confiante em relação à minha decisão. 

 

Aprendemos a fazer um leitinho de arroz integral - uma opção válida e muito nutritiva como alimento de transição. E vários snacks saudáveis como humus, wraps de tofu, molho para pizzas e massas e umas bolinhas energéticas.  Todas as receitas são confeccionadas com ingredientes naturais, biológicos, sem químicos, aditivos, açúcar ou produtos refinados.

 

Nesta fase inicial a ideia de poder fazer o meu próprio leite de transição/complemento e casa é muito agradável. Eu não sei se vou conseguir SEMPRE usar esta opção, se será viável com a minha vida de corropios cozinhar todos os alimentos ou fazer as melhores opções mas esta será a minha prioridade e saber que no biberon estará só arrozinho integral, água e geleia de arroz para adoçar é um descanso!

 

 

Mitosyl_044.jpg

Geninha Varatojo é especialista em alimentação macrobiótica infantil. Mitosyl_020.jpg

 

Mitosyl_026.jpg

 

Mitosyl_027.jpg

 

Mitosyl_031.jpg

 

Mitosyl_043.jpg

 

 

 

Mitosyl_048.jpg

 

Mitosyl_055.jpg

 

Mitosyl_064.jpg

Mitosyl_070.jpg

 

Mitosyl_079.jpg

 

Mitosyl_081.jpg

 

Para os interessados no dia 25 de Fevereiro irá ter lugar no IMP um Workshop de Alimentação Saudável para Bebés e Crianças e no dia 8 de Abril um Workshop de Alimentação Para Grávidas e Primeiras Papas do Bebé. 

 

PUB

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Playlist Spotify

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D